Software de fiscalização que utiliza blockchain traz criptografia, rastreabilidade e compliance das informações de resíduos produzidos na cidade de São Paulo

Com o uso da tecnologia em blockchain, o software de fiscalização e rastreabilidade, CTR-E, fiscaliza os entes envolvidos na cadeia do lixo – geradores, transportadores e receptores. Por causa da inovação, estima-se que a Prefeitura de São Paulo consiga reduzir em até R$ 130 milhões por ano os gastos com papéis, burocracia e fiscalização. O CTR-E foi desenvolvido pela startup PlataformaVerde em 2017 e doado para a Prefeitura para auxiliar no gerenciamento do destino de resíduos.

O CTR-E traz como inovação o uso de blockchain. A tecnologia permite criptografia, rastreabilidade e compliance das informações, e garante o controle e transparência entre todos os entes envolvidos durante todas as etapas do caminho do lixo. “No fim, além do município, beneficiamos toda cadeia de resíduos na cidade, desde lojas, indústrias e serviços, transportadores, destinadores e a fiscalização”, declarou Chicko Sousa, fundador e CEO da PlataformaVerde.

De acordo com o decreto Nº 58.701/2019 e a Resolução 130/AMLURB/2019, todos os estabelecimentos privados (indústria, comércio e serviços) situados no municípios de São Paulo devem realizar o cadastro (LINK) na Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), órgão responsável pela gestão dos resíduos e limpeza urbana da cidade paulistana.

Os entes são cadastrados no CTR-E, que fiscaliza o que é gerado e para onde é destinado os resíduos produzidos. A Amlurb e Subprefeituras conseguem acompanhar quando os materiais são destinados de forma errada e punir empresas que desrespeitem a lei ambiental. De acordo com a PlataformaVerde, a estimativa é que sejam cadastradas 360 mil empresas ainda este ano.

Desenvolvimento do software

Em 2015, como os resíduos começariam a ser enviados para diversas recicladoras e não apenas para o aterro, as concessionárias de limpeza urbana de São Paulo precisavam de um projeto de controladoria das plantas mecanizadas que receberiam os resíduos da coleta. “Foi aí que entendemos que um software seria a solução mais viável operacionalmente, e iniciamos o piloto com o primeiro módulo de controle em agosto de 2015”, relatou Chicko Sousa.

Durante o piloto, a startup percebeu que tinha um possível produto em mãos e procurou a Renault Brasil para estabelecer uma parceria.

“Com a ajuda da Renault, efetuamos diversas modificações processuais no software convertendo-o em um SaaS (Software as a Service). Após um ano de piloto com a Renault, em 2016, criamos o nosso MPV e abrimos para o mercado em janeiro de 2017, com apenas 1 cliente”, contou Sousa.

Blockchain é o futuro

De acordo com Chicko Sousa, o mundo tem desafios homéricos no que tange à sustentabilidade e ao meio ambiente. O CEO da PlataformaVerde afirma que a necessidade de resolver esses problemas está com pressão cada vez maior e prazos menores, o que torna a necessidade de mudança algo mandatório. “Tudo está interligado de uma forma tão intrínseca que todas as soluções precisam e devem ser compartilhadas. A tecnologia vem para eliminar essas barreiras e reduzir fronteiras”, completou.

É necessário coletar o que há de melhor em soluções, tratamento, redução de desperdícios e otimização de processos. O CTR-E é uma dessas soluções e já contempla resultados significativos graças ao uso de tecnologia.

“Este é um exemplo perfeito de como o blockchain veio para ficar e ainda vai colaborar, e muito, com o desenvolvimento de um planeta mais sustentável”, afirmou Chicko Sousa.